On popular health utilization metrics

Random Critical Analysis

This Commonwealth Fund report has been widely cited for explaining why US health expenditures are so high.

The analysis finds that the U.S. spends more than all other countries on health care, but this higher spending cannot be attributed to higher income, an aging population,
or greater supply or utilization of hospitals and doctors. Instead, it is more likely that higher spending is largely due to higher prices and perhaps more readily
accessible technology and greater obesity.

Since I have already spoken to the incomes argument at some length and explained why I find overall “high prices” to be unpersuasive as it pertains to NHE in general and the US specifically, I will instead focus narrowly on this utilization argument since there are a number of similar analyses with identical/similar indicators.

The report proffers this table as an explanation for why high utilization cannot explain high US health expenditures.

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Similar analyses are…

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High US health care spending is quite well explained by its high material standard of living

This is an amazing analysis on healthcare costs versus consumption of goods in the US and Europe. It shows that lots of the claims about the need for a single payer because the US is a complete outlier do not hold with good data, and that we might have less hanging fruits to attack if the goal is truly reducing healthcare expenditure in the US.

Lastly, one important point: since the major driver of healthcare expenditure in the US is volume, attacking things that lead to over utilization of the system might be proven wise (such as third party payment schemes, lack of price consciousness and price transparency, and tax exclusions).

Random Critical Analysis

About two years ago I created a long blog post arguing that the United States is not an outlier in healthcare expenditures per capita.   Following renewed interest from a link from Marginal Revolution recently and some criticism from a few people on various comment threads, I thought I’d take the time to update the evidence, address some areas of criticism, and muster yet more lines of evidence to support my argument.   This post should largely make the earlier post obsolete, but I will keep the earlier post up for posterity and to retain data/information that won’t necessarily be perfectly duplicated in this post.

There exist several popular plots like these that people use to make the argument that the United States spends vastly more than it should for its level of wealth.

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These plots and the arguments that usually go with them give the strong impression that US spends about…

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NYT propagando um dos maiores mitos do Século XX: a qualidade da saúde de Cuba

Após a notícia de que o governo americano começaria a rever suas medidas contra Cuba, inclusive reiniciando a discussão sobre o fim do embargo econômico que existe desde a década de 60, muitas conversas se iniciaram sobre como isso afetaria a vida dos cubanos. Em uma delas, uma “jornalista” do New York Times pergunta se Cuba pode escapar da pobreza e se manter saudável, seguindo a cartilha doutrinária de que o sistema de saúde da Ilha de Fidel é bom e o responsável pela manutenção da saúde da população. Esse é um dos grandes mitos do Século XX, propagandeado por pessoas como Michael Moore em seu documentário Sicko, e que já foi desmascarado por diversas pessoas, inclusive cubanos.

O sistema de saúde de Cuba tem suas particularidades positivas? Sim! É impossível existir um sistema de saúde em um país em que se “morre” pouca gente e que não tenha aspectos “positivos” a se analisar. Mas mesmo eles são recheades de mitos… Nesse texto, o objetivo é falar sobre a diferença entre a realidade e a fantasia, mostrando um pouco do que está por trás dos mitos da saúde cubana.

1. Número de Médicos

Quando o Brasil começou a importar escravos Cubanos, digo, médicos Cubanos, o partido do governo e seus aliados — principalmente a milícia virtual — disseram que isso não afetaria a Ilha de Fidel, visto que há um excesso considerável de médicos na população de 11 milhões de habitantes (cerca de 6,4 por mil habitantes, acima do número que é considerado minimamente razoável de 2 a 2,5 por mil pessoas). Os números são amplamente superiores aos dos EUA, do Canadá e mesmo dos países Europeus. Ou seja, esse indicador parece algo até interessante.

Médicos (Fonte: OSUNR)
Médicos (Fonte: OSUNR)

Entretanto, deve-se lembrar que cerca de 1/5 dos médicos Cubanos (cerca de 14 mil) já se encontravam trabalhando na Venezuela, em troca de petróleo para abastecer a Ilha. Adicionando-se a esse número os mais de 11 mil médicos exportados para o Brasil, o  número já chega a próximo de 40% da força de saúde cubana que não atende a própria população — sem contar outras missões ao redor do mundo e os médicos que são exclusivos dos sistemas da elite, como o hospital mostrado por Moore.

Mas vamos analisar um pouco os motivos por trás desse número alto de médicos em Cuba.

Primeiramente, o sistema de de educação cubano é pouco seletivo para a entrada nas universidades. Muitas pessoas que não conseguiriam passar no vestibular para Medicina no Brasil podem ser admitidas nas universidades cubanas sem problema algum apenas por vínculos ideológicos. Isso leva, consequentemente a uma distorção no mercado de saúde com excesso de profissionais formados, o que facilita para o governo alocá-las onde bem entender — afinal, todas devem “pagar” para o Estado pelo privilégio de terem estudado “de graça”.

Em segundo lugar, em um país onde há poucos projetos de tecnologia e indústria, onde a agricultura é absurdamente simples, onde há pouca pesquisa, as pessoas acabam não cursando áreas como engenharia, agronomia, veterinária e encontram nas especialidades médicas uma forma de realizar sonhos profissionais — até começarem a trabalhar como médicos e se desiludirem. Aliado a isso, os cursos de medicina em Cuba são absurdamente mais baratos que nos outros países latino-americanos e que em todos os países de primeiro mundo por dois motivos simples: falta de acesso a tecnologia e foco em atenção primária — única e exclusivamente. Como os hospitais escola não tem aparelhos de diganóstico para “drenar” as verbas de instalação e manutenção, mais dinheiro pode ser despendido em contratar profissionais que em muitos lugares do mundo seriam redundantes, e com isso há tempo/disponibilidade da mão de obra para o ensino. Desse modo, as turmas de faculdade cubana podem ser bem maiores que as vistas no Brasil (às vezes 2000 alunos ingressam num ano). Assim, a demanda por vagas de medicina é prontamente atendida por um sistema montado para tal.

Com isso, consegue-se formar um médico generalista Cubano que seria uma mistura de Agente Comunitário de Saúde e Enfermeiro, capaz de lidar com prevenção e manutenção de tratamento (cuidando se a pessoa toma a medicação com a frequência desejada, por exemplo), mas quase inútil ante cenários complexos como cânceres. Podem até existir bons cirurgiões depois da especialização que não é obrigatória, que conheçam bem anatomia e fisiologia, mas a eles falta equipamento para as operações. O mesmo vale para todas as outras especialidades, há um profissional capacitado, mas faltam recursos para atender a população, caso ele não decida se enveredar politicamente e ascender na carreira tratando apenas a elite do país. Então, é óbvio que dará para se ter muitos médicos espalhados pelo país (grande parte de formação duvidosa, entretanto).

2. Saúde Infantil

Outro fator amplamente alardeado é que a qualidade de vida das crianças supera muitos países desenvolvidos. A mortalidade infantil seria menor que dos EUA, por exemplo, e os índices de vacinação seriam mais altos. Novamente, se esses dados fossem sérios, eles seriam interessantes. Entretanto, como tudo divulgado por uma ditadura e sem ninguém ter acesso aos reais números, é muito difícil de se acreditar neles.

Em primeiro lugar, é importante notar, como a forma de apresentar os dados esquece que parte do mérito dos números baixos não vem do governo socialista:

(…) de acordo com essas mesmas estatísticas [de mortalidade infantil] da ONU, em 1958 (o ano anterior à gloriosa revolução) Cuba figurava na 13ª posição, mundialmente.  Isso significa que a Cuba pré-Fidel, robustamente capitalista, tinha a 13ª menor taxa de mortalidade infantil do mundo.  Isso colocava o país não apenas no topo da América Latina, mas também acima de grande parte da Europa Ocidental, à frente da França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália, Espanha e Portugal.  Hoje, todos esses países deixam a Cuba comunista comendo poeira, com taxas de mortalidade infantil muito menores.

E mesmo despencando da 13ª posição (quando capitalista) para a 44ª (agora comunista), a ‘impressionante’ mortalidade infantil cubana é mantida artificialmente baixa pelas trapaças estatísticas do Partido Comunista e por uma taxa de aborto verdadeiramente pavorosa: 0,71 abortos para cada feto nascido vivo.  Essa é, de longe, a taxa mais alta do hemisfério.  Em Cuba, qualquer gestação que sequer insinue alguma complicação é ‘terminada’.” (Humberto Fontova)

Vale ressaltar ainda, que nas décadas de 50 e 60, a ONU ainda se importava com dados e não só com narrativa. Dessa forma, o sistema de saúde Cubano ainda estava sob escrutínio da comunidade internacional.

Outro dado interessante se dá quando analisamos os índices de vacinação, que são altíssimos. Isso acontece não necessariamente por conscientização da população sobre vacinas, mas principalmente por repressão do Estado. É só pensar que os pais seriam “chantageados” a vacinar as crianças conforme acontece com os pais do Bolsa Família — ou a carteira de vacinas está em dia ou o benefício é cortado. Outra forma de manter a vacinação em níveis respeitáveis é com programas de vacinação obrigatória em escolas públicas — as quais são frequentadas por todas as crianças cubanas. Assim, fica muito mais fácil controlar a população e garantir que as vacinas sejam apliacadas.

Vale lembrar que grande parte do movimento anti-vacina que existe ao redor do mundo se dá em áreas ricas, como Nova Iorque e California, onde os pais podem se dar ao luxo de perderem parte das economias bancando um tratamento de doenças de fácil prevenção, ou em áreas em que as pessoas duvidam do governo por causa de regimes tirânicos como na África e no Paquistão, não sendo necessariamente um resultado de falta de disponibilidade de vacinas…

Hospital Cubano (source: Humberto Fontanova, Mises BR)
Hospital Cubano (Fonte: Humberto Fontova)

Vale ainda comentar o absurdo quando se diz que Cuba apresenta investimentos em educação e em moradia. A Ilha propagandeia que nenhuma criança dormirá sem teto e ficará sem acesso a escola, entretanto, não se fala da qualidade do teto — que foi determinada como padrão para todos — ou da qualidade da educação. Muitos vivem em cortiços mais cheios que diversos barracos de favelas do Brasil e vão para escola aprender como o socialismo é bom, sem estudar o mínimo sobre a história do mundo, ou deixando de lado as ciências para focar em doutrinacão.

Por fim, quando a analista do NYT comenta sobre os investimentos em nutrição, vale a pena lembrar que o governo cubano não consegue oferecer alimentos suficientes para a população como um todosendo que grande parte da comida em Cuba vem dos EUA, mesmo com o embargo ainda vigente. Com isso, as pessoas precisam achar maneiras para sobreviver, as quais surgem com altos índices de prostituição (inclusive infantil) e com um mercado negro em si vibrante. A inventividade dos Cubanos consegue sobressair às restrições impostas pelos Castro e consegue manter a Ilha ainda funcional mesmo depois de 50 anos de miséria sob o regime comunista.

3. Expectativa de Vida

Uma coisa que muito poucas pessoas comentam é que a expectativa de vida de um país não necessariamente reflete um resultado do sistema de saúde desse lugar. Por que isso? Pelo simples fato de ela englobar todas as causas de morte possíveis em um único dado e a partir delas traçar uma média de quanto uma criança recém nascida pode chegar a viver. Além disso, entramos novamente no fator confiabilidade dos dados do governo cubano…

Um país como o Iraque ou Belarus, que estão em situações de conflito civil ou ainda sofrem as consequências de desastres como Chernobyl, terá a expectativa de vida menor que Cuba, independente de ter um sistema de saúde melhor. O mesmo vale para os Estados Unidos, em que as principais causa de morte de pessoas entre 25 e 34 anos são envenenamento, acidentes de trânsito, homicídios e suicídios.

Quando se consegue diminuir essas causas, principalmente a partir de muita coerção estatal no caso Cubano, é possível aumentar a expectativa de vida absurdamente sem nem se alterar o sistema de saúde. Um estudo sobre isso está presente no livro The Business of Health, em que se comenta que caso os EUA tivessem as mesmas taxas de mortes trágicas de outros países, a sua expectativa de vida seria a mais alta do mundo.

Como em Cuba se retiram as causas externas de mortalidade, com o desarmamento amplo e irrestrito da população — para facilitar o controle por parte do governo –, com a proibição de vários tipos de drogas e medicamentos, com a dificuldade de acesso a veículos automotivos — a existência de poucos carros implica em menos acidentes –, entre outros aspectos, a expectativa de vida tende a ser mais elevada. Juntando-se a isso, o controle do governo sobre a rotina da população e o baixo acesso a alimentos — levando a reduzida obesidade –, os números conseguem ser “melhores” que os de outros países que apresentam qualidade de vida da populacnao absurdamente mais elevada.

Assim, não é a saúde cubana que em si ajuda a população a viver mais, mas causas externas de morte que são retiradas a troco da liberdade das pessoas.

Conclusão

É bonitinho falar que Cuba tem um sistema de saúde que faz sua população viver melhor — eu mesmo infelizmente defendia isso quando tinha 10 anos de idade e estava no auge da doutrinação da escola –, entretanto isso é uma grande mentira. Cuba consegue mostrar que pessoas superam as restrições que um governo autoritário impõe e conseguem sobreviver a despeito de tudo que é feito contra elas. A Ilha Caribenha se destaca por ter uma população alegre, inventiva, trabalhadora e caridosa, visto que a maior parte dos migrantes faz de tudo para tentar ajudar os seus conterrâneos, mesmo que isso signifique colocar a sua própria segurança em risco.

Nessa linha, atribuir ao sistema socializado de saúde Cubano os méritos que residem em outros aspectos da vida da população da Ilha é no mínimo uma ignorância, quando não mau-caratismo absurdo e uma tentativa clara de enganar os leitores. Muitos jornalistas se enquadram na primeira categoria (ignorantes) — visto que eles usam métricas que não medem a qualidade do sistema de saúde para justificar sua opinião –, mas são frutos de anos de doutrinação advinda de membros da segunda. Tomara que os próximos anos mostrem como esse mito tão difundido não passava disso: um mito repetido a esmo por muitas pessoas que não fazem ideia do que estão falando.

Vale ainda ressaltar que o bloqueio americano não foi a causa da pobreza da Ilha, só ver o caso da Coreia do Norte e de outros países socialistas na África para entender que é o modelo econômico adotado por essas nações que machuca seus habitantes. Cuba é pobre por ter uma população pouco produtiva e por fabricar poucas coisas que tenham valor significativo, basta lembrar que todos os países do mundo à exceção dos EUA comercializavam quase que livremente com a terra de Fidel durante os 50 anos do embargo e mesmo assim o país caribenho não se desenvolveu.

Cuba tem muito a ganhar com a queda do socialismo e praticamente nada a perder. Que os órfãos da URSS e do controle Estatal espalhados pela imprensa aprendam isso e parem de difundir mentiras por aí.

Economia, Política e Brasil

Pavilhão da República visto do Palácio do Planalto. Fonte (http://static.panoramio.com/photos/large/15388495.jpg)
Pavilhão da República visto do Palácio do Planalto. (Fonte : http://panoramio.com)

As pessoas que me conhecem há mais tempo sabem que eu tenho um posicionamento que chega a ser radical em alguns tópicos relacionados a política. Sou favorável desde pequeno a um Estado mínimo (quanto menor, melhor — mas acreditando que a anarquia é um experimento só teórico), favorável a um governo eficiente e defensor de baixos impostos (quanto mais simples e transparentes, melhores). Acho que o Estado pode fazer algumas coisas — principalmente relacionado a segurança, respeito a propriedade e justiça –, mas quem ajuda mesmo as pessoas são outras pessoas e não um ente imaginário que ganhou poder para substituir a religião no período posterior a Revolução Francesa e para manter os arroubos autoritários dos que iam contra o antigo regime. Acho que a política mais pura é aquela que se faz no dia-a-dia em relações interpessoais, em relações trabalhistas diretas, em movimentações de pessoas e em exigências de liberdade, não aquela feita numa eleição ou usando os poderes constitucionais para subordinar os outros aos seus interesses.

Por causa da minha educação, em uma família que mistura conservadorismo social com social-democracia em termos de governo, eu achava que muitas das coisas que aconteciam de errado no Brasil eram culpa das administrações e não do modelo. Por muitos anos eu imaginava um mundo perfeito como o dos países nórdicos descrito pelos meus professores da escola em que as pessoas não precisavam se preocupar com sua saúde, sua educação, com sua morte, pois o governo ia tomar conta de tudo. Achava que o que faltava para o mesmo acontecer no Brasil eram melhores políticos e gestores, por causa disso, sempre me importei em tentar entender a situação política do país e o que poderia ser feito para mudá-la. Acreditava que colocando as pessoas certas no poder, poderíamos ter o verdadeiro país do futuro — cheguei a cogitar me candidatar nos meus idos de Ensino Fundamental.

Entretanto, conforme eu estudava história, via que essa minha ideia era a mesma defendida por todos os revolucionários durante os séculos que passaram. Fui vendo que todos os regimes sanguinários que surgiram se deram por causa de pessoas que acreditavam que os detentores do poder seriam capazes de mudar o mundo para melhor, que conseguiriam construir o paraíso na Terra, e, contraditoriamente a minha idealizada sanha democrata, aquelas pessoas eram os “melhores” representantes do povo — pois haviam sido os escolhidos por ele e, por isso, eram aqueles que os representavam.

Tinha muita coisa de errado nisso…

A democracia não era perfeita. O poder de “ferrar” a vida de todos ser dado para 50% + 1 dos votantes não me parecia justo. O Estado podia a qualquer momento ser tomado por pessoas que iriam contra as aspirações de uma sociedade mais justa e de mais oportunidades. O Governo servia apenas para tiranizar e extorquir a população, sem ser responsável pelas atitudes de seus agentes e sem se responsabilizar pelo futuro dos mais inocentes.

Além disso, a minha idealização do Estado cuidando das coisas ia de encontro com a minha paixão por uma economia livre, em que eu pudesse comprar o que quisesse, pudesse viajar para onde quisesse, pudesse trabalhar na área que bem entendesse. O Estado controlando a economia levava a situações como a crise de 29, em que para manter o preço do café alto para os produtores brasileiros, o governo comprava e queimava as sacas excedentes, criando uma escassez relativa que permitia que os influentes tirassem mais dinheiro da população — mas graças a baixa lucratividade da medida governamental, pessoas seguindo o regime de mercado decidiram investir na indústria, o que melhorou um pouco a situação econômica do país.

Fui vendo também que o tão famigerado mercado — odiado por alguns professores que tive — servia para enriquecer as pessoas na bolsa de valores (eu comecei a assistir Conta Corrente na Globo News aos 13 anos de idade) e servia para direcionar os recursos excedentes para áreas que no futuro poderiam ser interessantes, gerando inovação. Para o mercado não fazia diferença se a pessoa era branca, preta, indígena, desde que ela tivesse motivação de trabalho, um mínimo de capital e uma vontade de arriscar. Enquanto isso, os “investimentos” do governo eram feitos em áreas que levariam sempre a votos, seja com políticas de transferência direta, seja com investimentos em infraestrutura — tudo sempre focando na próxima eleição.

Eu nunca entendi o porquê de manter as pessoas pobres no sertão do Nordeste prometendo sempre diversas coisas, ao invés de deixá-las a migrar para as cidades, onde a vida pode ser difícil, mas em que é bem mais fácil conseguir qualquer coisa: desde uma comida a um atendimento médico de emergência, desde um emprego (que não depende tanto da sazonalidade das chuvas) a uma escola um pouco menos pior para os seus filhos. Parecia que o interesse estava de um lado em manter o pobre miserável para que as promessas tivessem mais impacto e do outro em restringir o acesso dele ao mercado formal, seja de trabalho, seja de consumo. Isso tudo já nos idos dos anos 2000, depois que o operário que ia salvar o Brasil tinha assumido a presidência.

Quando eu comecei a estudar mais de economia, motivado pelos comentários do Guto Abranches e pelas matérias do Eduardo Grillo no Pelo Mundo — também da Globo News –, fui vendo o quê o Plano Real tinha feito para o país e entendi o carinho que os meus pais nutriam pelo FHC — minha compreensão nesse tópico melhorou ainda mais depois que eu aprendi o nome de Gustavo Franco e comecei a ler seus artigos. Meus pais, diga-se de passagem, passaram perrengues com os planos Verão e Collor, viram o poder de compra da família reduzido absurdamente por vários anos, tendo que correr para o mercado assim que saía o salário antes do homem da máquina alterar os preços de tudo e precisando fazer estoque de coisas para não faltar comida. Ou seja, não éramos nem de longe a família burguesa atacada com tanta sanha pelo PT e pelos outros “defensores dos pobres”.

Assim, eu percebi que a melhor coisa que um governo poderia fazer para qualquer pessoa era permitir que ela conseguisse planejar o dia seguinte, que ela soubesse que a sua moeda vai valer alguma coisa e que o seu trabalho vai continuar custando o mesmo para o empregador em termos monetários — descontando-se o aumento de produtividade, logicamente — hoje ou amanhã, evitando as injustas demissões por causa de deterioração financeira causada pelo governo. Coisas que uma dona de casa sabe, que um mestre de obra entende, que mesmo uma criança de cinco anos e que ganha mesada para comprar balinhas consegue abstrair. E não foi por acaso que o Plano Real tirou tantos milhões da pobreza…

Depois disso, vi que até mesmo o operário escolheu seguir um modelo mais austero de não gastar mais do que se ganha e com isso ele foi capaz de manter o sistema funcionando, segurando o famigerado tripé macroeconômico do Armínio Fraga nos primeiros anos do seu governo. O médico de Ribeirão Preto empossado Ministro da Fazenda foi tão ortodoxo quanto os economistas da PUC-RJ e da FGV, e, junto ao banqueiro internacional goiano, conseguiu dar uma credibilidade a política monetária do país que era impensável quando dos discursos do ex-sindicalista a presidente durante os anos 90. O país não degringolou como eu achava que iria, sorte dos brasileiros que tinham instituições sólidas — e sorte minha que não precisei tentar fugir para Portugal, como eu brincava com meus pais e avós que faria.

Meses se passam em 2003 e o governo parecia estar funcionando, a política de austeridade fiscal do médico e do banqueiro davam resultados, o Plano Real se mostrava maduro e tirava mais e mais gente da pobreza ao permitir que as empresas voltassem a contratar e que a economia crescesse. O programa social central do governo, chamado Fome Zero, havia sido jogado para escanteio por falta de resultados, e agora o foco estava no reestruturado Bolsa Família, que aparentava melhores resultados e mais eficiência — e só foi possível por causa da estabilidade econômica conseguida a duras penas nos anos 90.

Entretanto, o governo crescia a cada dia, ministérios surgiam para atender aliados políticos, agências aumentavam cargos e perdiam seu propósito fiscalizatório, mais e mais se ouviam histórias de funcionários públicos padrão Mendonça, de “A Grande Família”: trabalham quase nada, mas ganham horrores de dinheiro vindo dos pagadores de impostos. Isso não me cheirava bem. Não conseguia concordar com isso. Não entendia porque era necessário aumentar em 50% o número de cargos públicos, até porque isso significaria menos dinheiro para as pessoas poderem viver suas vidas.

Em Setembro de 2004, meu tio Paulo, juntamente com Sérgio Pardellas e Hugo Marques, escreve uma reportagem intitulada “Planalto paga mesada a deputados“. Era o início das denúncias sobre o mensalão e da caça às bruxas (leia-se ataque ao mensageiro e não à mensagem). O presidente da câmara começa um processo de intimidação aos jornalistas, tentando abafar a história — inclusive com queixas criminais contra eles. Alguns meses depois, Roberto Jefferson bota a boca no trombone e estoura o escândalo. Nisso eu já estava totalmente desacreditado com o governo, mesmo que nunca tivesse apoiado Lula e seu partido, o qual imaginava ser no mínimo tão sujo quanto qualquer outro por causa dos escândalos como o caso Celso Daniel, eu via que o governo estava fazendo algumas coisas boas para a população.

Com o mensalão, eu perdi qualquer pingo de resignação que poderia ter com o PT no poder. Com os processos contra o meu tio, eu perdi a capacidade de acreditar na dignidade daqueles corruptos e corruptores — por mais que meu tio ainda defendesse o voto neles pelos supostos ganhos sociais alegadamente atribuídos ao partido. O que eu vi ali não foi um atentado ao erário, mas uma afronta a democracia e a república onde o ente no poder faz de tudo para cooptar os adversários. E quando eu fiquei sabendo que os planos da liderança petista eram de se manter na presidência por no mínimo 20 anos, minhas esperanças para o país diminuíram ainda mais. Eu vi que o modelo democrático era tão frágil e ruim, que a única justificativa para sua manutenção é aquela dada por Churchill: os outros são piores.

Quando FHC e a oposição decidiram deixar Lula sangrando nas cordas a espera da eleição seguinte ao invés de investir pelo impeachment do presidente — lembrando que por coisa muito menor Collor foi deposto em 92 –, eu fiquei estarrecido. Não é possível deixar que uma coisa dessas aconteça: tem de tirar esse pessoal logo do governo! Veio 2006, e Lula foi reeleito na base da demagogia populista com um discurso que atrelava ganhos sociais a sua gestão e não à política econômica que foi mantida, com uma campanha de difamação contra o candidato Geraldo Alckmin baseado em terrorismo sobre privatizações, e com mentiras deslavadas para esconder a corrupção do governo e para atacar seu antecessor. Nesse momento, minha crença sobre a “escolha ótima” da população foi definitivamente abalada.

Ao mesmo tempo que tudo isso acontecia no país, eu tinha contato com mais tópicos de filosofia, sociologia, ciência política e economia. Nesses estudos das ciências humanas, eu conheci melhor Marx, Rousseau, Bacon, Montesquieu, Smith, Ricardo. Passei a admirar os três últimos, ser indiferente com aquele que tem nome de comida e a detestar os dois primeiros. Eu me perguntava (e ainda me pergunto): Como alguém pode em sã consciência defender que o meio determina o comportamento das pessoas? Esse “estudioso” nunca se deu ao trabalho de olhar a própria sociedade e ver que mesmo os nascidos em berço de ouro, com a melhor das educações do mundo, criados sob os mais valorosos códigos morais podem ser tão deliquentes como aquela pessoa nascida no gueto pode ser pura? E como o barbado alemão não conseguia enxergar que pessoas diferentes valorizam coisas diferentes, que tem produtividades diferentes, que tem merecimentos diferentes e que tudo aquilo que é de “comum” propriedade tende a ser destruído por negligência? Ele não conheceu a tragédia dos comuns?? Muito provavelmente ele não fazia ideia do que seria um banheiro público tratado como propriedade coletiva…

O pior foi ver que os filósofos que eu detestava eram idolatrados pela dita inteligência com quem eu tinha contato. Professores defendiam o socialismo ou o determinismo social de Rousseau e sua teoria do bom selvagem. Havia muito relativismo e tentativas de não se incentivar a diferenciação, o crescimento individual. Até mesmo pessoas dentro do movimento espírita chegavam a considerar que essas ideias valiam alguma coisa. Com isso me sentia desamparado quando de conversas sobre política.

Filosofia a parte e voltando mais para o campo político-econômico, eu já sabia que a abertura comercial era benéfica para as pessoas: mais produtos, mais opções, menores preços e mais qualidade. Concorrência sempre beneficia o consumidor, é só comparar uma praça de alimentação com um comércio local e ver qual delas tem mais opções e gera mais retorno. Já sabia que o FMI e o Banco Mundial não são os espoliadores da sociedade — esse papel é do governo. Já sabia que o padrão ouro era bem melhor do que a fiat currency — obrigado guia de estudos do IMF da Sinus 2006 por me fazer ler sobre a conferência de Bretton Woods. Mas eu ainda não tinha a total dimensão da influencia da economia na sociedade, o que veio após aprofundar meus estudos nos tópicos inicialmente debatidos em Introdução a Economia em 2008 e Introdução a Sociologia em 2009.

Os aspectos de micro e macro economia estavam diretamente relacionados a modelos sociais como os de Weber e Marx. As implicações das ações governamentais nas trocas voluntárias de indivíduos tendiam a sempre ser danosas, independentemente do dono dos meios de produção. Um governo que tenta restringir o acesso ao mercado e limitar as trocas — seja por imposição de preços, seja por regulações, seja por coerção direta — sempre prejudica a sua população ao diminuir o número de produtos a que eles tem acesso e ao impedir que crescimento econômico ocorra devido a trocas mutuamente benéficas. Assim, a liberdade econômica implica diretamente em aumento da qualidade de vida de uma sociedade, algo que eu fui comprovar depois ao ver os diversos estudos da Heritage Foundation e do Fraser Institute.

Nisso, eu vi quão perigoso um programa de assistencialismo social feito por tempo indeterminado pode ser. Eu vi como políticas protecionistas só beneficiam as empresas e os empregados de setores com força política para fazer a nação pagar por sua improdutividade (vide a lei a Informática e os monopólios governamentais). Eu vi como cotas raciais ou sociais podem gerar os mesmos incentivos perversos que o protecionismo, caminhando para a dependência e não resolvendo situação nem a curto, muito menos a longo prazo — na verdade gerando até outros problemas sociais a longo prazo. Eu vi como saúde e universidade públicas gratuitas serviam só para beneficiar uns poucos, seguindo o modelo de custos dispersos para benefícios concentrados, e passei a achar o processo cada vez mais injusto — me arrependo até hoje de ter apoiado o Obama por causa de propostas nessa linha.

Quando eu entrei no movimento estudantil nos meus anos de UnB, comecei a ter contato com pensadores mais liberais como Mill, Bastiat e Tocqueville, mesmo que fosse só em citações dos meus amigos quando da escrita de algum documento. Mas também passei a ver que existiam mais pessoas como eu, que buscavam um país mais livre, com menos coitadinhos e mais trabalho, com menos esmola e mais cooperação, com menos discurso e com mais ação. Esse convívio foi importante pois me instigou a estudar mais, a crescer como acadêmico, como debatedor e como pessoa. Ele também me mostrou que muitas pessoas que defendem com a mesma convicção pontos contrários aos meus não o fazem por falta de caráter ou ingenuidade, mas por valores diferentes ou por falta de informações. Se eu acho a liberdade o elemento mais importante, outros podem achar que são as igualdades — algo quase diametralmente oposto.

Nesse processo, comecei a ter discussões mais filosóficas com meu pai — Marco. Ele, que estudou economia e direito quando mais novo e que partilha dos mesmos valores conservadores que eu — apesar de não ser um livremercadista tão convicto –, me dava luz em alguns pontos mais espinhosos, me fazia refletir e me conduzia para uma posição mais ponderada. A formação com mais Schumpeter e menos Smith resultava em um entendimento de que o governo pode ter um papel a desempenhar no processo, sempre gerando excelentes conversas. Fora o quê, ele sempre levava as discussões para o aspecto moral por trás da coisa, tentando não ver o jogo como números, mas como melhoria de condição. Nesse sentido, acabei procurando economistas que tinham uma abordagem voltada a aspectos sociais dentro da visão que eu entendo correta, como Thomas Sowell e mesmo Milton Friedman. A Escola de Chicago com suas “second best solutions” apresentou sempre alternativas razoáveis e que procuravam ampliar a liberdade, ao mesmo tempo que não esqueciam das pessoas com mais dificuldades.

O mesmo acontecia com as conversas com o meu tio, que está bem mais a esquerda do que toda a família — algo que eu nunca entendi o porquê — e me passava a necessidade do jogo político e do entendimento do sistema como “a arte do possível” defendido por Bismarck. Era sempre divertido saber das notícias em primeira mão e ter a melhor fonte dos bastidores do congresso e do planalto a uma ligação. Além disso, ele sempre foi alguém com quem eu poderia conversar por horas sobre futebol, literatura e cinema com a mesma paixão com que discutíamos sobre o congresso. Ele ainda me deu o livro Sabres e Utopias, de Vargas Llosa, cuja leitura consolidou a minha mudança de um social-democrata pró-mercado para um liberal-conservador.

Mas voltando ao caso do Brasil e ao governo, em 2008-09 tivemos a crise. O presidente falou que ia ser apenas uma marolinha, mas com a equipe econômica toda modificada, não demorou muito para que as famigeradas políticas anticíclicas viessem para ficar e o governo finalmente desandasse para a direção que eu temia. Crédito foi liberado usando os bancos públicos para pessoas sem condições de pagar, com garantias de recuperação do capital a partir dos impostos — que cobririam os rombos quando necessário. Reduziu-se a tarifação para setores influentes, enquanto o resto do país pagava a conta para manter a arrecadação em níveis similares e para manter a improdutividade protegida. As contas públicas começaram a ficar diferentes — ainda havia o respeito ao tripé, mas o câmbio já passava a ser mais vigiado.

Em 2010 veio a nova eleição. Seria a chance de ver um debate de propostas e um candidato da oposição que pudesse criticar os desmandos do governo federal. O resultado, entretanto, foi um debate entre dois candidatos que se colocavam como os melhores continuístas para o sistema implementado. O tucano que gosta de intervir na economia e a petista desenvolvimentista. Com o operário coordenando a venda do dito poste, a ex-ministra da casa civil foi eleita mesmo em meio a escândalos de tráfico de influência e má gestão. O povo escolheu um caminho de mais intervenção no país pelos “arautos” do desenvolvimento e novamente a minha fé na democracia foi pelo ralo.

Veio a “nova matriz econômica”, que lembra e muito a política dos anos 70, e com ela a volta da inflação que mesmo em níveis “oficiais” mais baixos que na década anterior já apresentava ritmo de subida. A presidente decidiu comprar uma briga contra fundamentos econômicos e baixou os juros na marra — segundo o discurso ela estava lutando contra o malvado capital financeiro que explora os pobres. Ela ganha o primeiro round, mas apanhou o resto da luta inteira — knock out deflagrado pela economia, para o bem do país. Para esconder todas as besteiras, o governo começou a usar a chamada contabilidade criativa: tira do balanço de pagamentos os títulos que só vão ser cobrados daqui uns anos, adiciona receitas que ainda não entraram, mas que fazem parte do esperado; mexe no fundo soberano para fazer superávit; emite títulos da dívida para financiar os bancos públicos e esconde essas movimentações com malabarismos contábeis; e assim por diante.

Nessa história toda, o povo saiu perdendo. De início tudo parecia bonitinho: crédito barato, conta de luz com preço controlado, gasolina com preço congelado. Mas em poucos meses as medidas foram cobrando o seu preço: o controle de preços levou a endividamento da Petrobras e a perda de capacidade de investimento da companhia e das empresas energéticas. O aumento do consumo de luz — que estava artificialmente barata — levou a uma diminuição dos reservatórios que atingiu níveis críticos e forçou o governo a usar as térmicas, que produzem energia mais cara. E a inflação dos serviços e de outras áreas foi aumentando, devido a reduzida oferta e ao excesso de moeda em circulação por causa do crédito estimulado pelo governo, do excesso de gastos da máquina e do endividamento público. Com isso, os pobres foram perdendo o poder de compra e sofrendo a mesma ressaca que a economia passou na década de 80.  Se eu já não acreditava que o governo poderia ser sério, essa gestão consegue me mostrar certo a cada dia que passa.

O pior dessa história toda é que o governo não tem a hombridade de assumir a culpa pelas medidas desastradas que tomou e fica inventando fantasmas do passado como uma crise que já acabou ou terrorismo eleitoral que não existiu, além de usar estatísticas maquiadas de emprego para fingir que está tudo bem ou impedir a divulgação de resultados que não interessam aos mandatários. 2015 vai ser um ano penoso por conta de todo o ajuste fiscal que precisará ser feito. Torço que ele seja feito com corte de gastos, corte de programas avulsos que não ajudam ninguém (como o bolsa empresário) e redução da intervenção estatal na vida das pessoas…

Isso sem falar de toda a perda da estabilidade institucional que aconteceu durante o governo do partido dos trabalhadores. Ministérios, agências reguladores, empresas públicas e mesmo o Supremo Tribunal Federal foram cooptados por militantes. As indicações não atendiam a critérios técnicos, mas políticos: quem consegue garantir mais facilidades para o partido e atuar melhor no plano de manter o PT no poder por pelo menos 20 anos? Com isso, em 12 anos os serviços pioraram, mesmo tendo aumento de aportes oriundos de maior arrecadação tributária — tanto relativa, como absoluta. A ineficiência do governo voltou a perturbar e as incertezas começaram a surgir. As instituições que pareciam sólidas em 2003, se mostraram tão frágeis como as argentinas da década de 90.

O governo então tentou usar um movimento político municipal para virar um Estado contra seus opositores. Não deu certo. Ele perdeu o controle e incentivou o quebra-quebra pelo país nas famigeradas jornadas de junho, um dos maiores engodos dos últimos anos da recente democracia brasileira. Nisso, eu perdi qualquer respeito que ainda nutria pela presidente — o seu partido para mim já era de uma insignificância sem par, só comparável à dos comunistas e dos socialistas do Século XXI, e a consideração a seriedade das suas políticas em si nunca existiu.

Agora, nessa eleição, o mesmo partido que vem a 12 anos detonando o país com medidas autoritárias e populistas quer ser eleito para mais 4 anos. A campanha se resume no medo! Se você, pobre ou de classe média, que recebe auxílio do governo para comer, estudar, morar e se locomover não votar no partido, tudo isso que existe será tomado pelos imperialistas, classistas, illuminatis, seres malvados das sombras. Se você não votar no partido, você estará sendo um mal agradecido por tudo isso que foi feito para si. E os ataques pessoais e institucionais continuam. E a presidente não trabalha há meses. E os cofres públicos são assaltados para manter grupos de interesse felizes. E a população sofre com um nível ridículo de campanha eleitoral, com debates pobres em conteúdo e com uma presidente que não sabe fazer uma subtração, quanto mais conseguir gerenciar um país.

Para se manter no poder, o governo ainda tenta tomar a superioridade nas virtudes. São eles os únicos defensores dos pobres, das mulheres, das minorias. E o pior é ver que muita gente acredita nisso por não entender que as políticas públicas que são adotas com “boas intenções” tem efeitos perversos e que vão muitas vezes contra aqueles que se deseja proteger. O único jeito de se garantir direitos individuais é diminuindo a coerção que existe sobre eles e não tirando direitos alheios para “valorizar” um determinado grupo…

Por essas e por outras que eu sou contra esse bando de criminosos que está a frente do governo. Voto com minha consciência tranquila no candidato da oposição — que eu queria como concorrente a presidente desde o pleito de 2010 — não só por acreditar que ele vai fazer melhor que o atual status quo e por ele ter um melhor histórico de gestão, algo que será essencial para enfrentar a penúria do ano que vem, mas para ver o PT fora do poder.

As propostas de Aécio são melhores do que as petistas, apesar de ainda estarem muito distantes do país que eu quero e que vejo como o melhor para os brasileiros. Aécio infelizmente não vai privatizar os bancos públicos, nem a Petrobras, nem a Eletrobras, nem as comunicações, nem os transportes, não vai acabar com o Bacen nem com o BNDES. Ele vai investir mais dinheiro em sistemas falidos de educação e saúde, que deveriam ser abolidos e substituídos pelo mercado, associados a vouchers para garantir o acesso àqueles de baixa renda. Mas pelo menos ele tem histórico de ter conseguido melhorar as coisas ruins que aconteciam, diminuindo a fatia abocanhada pelo governo da renda das pessoas. Ele monta equipes técnicas que conseguem diminuir o aparelhamento das estruturas. Voto em Aécio porque ele tem a seu lado Armínio Fraga, Mansueto Almeida, Gustavo Franco, Antonio Anastasia, Mônica de Bolle, Bernardinho e outras tantas peças de uma equipe especialmente boa e que pode aos poucos reduzir os gargalos que o país tem ao diminuir o tamanho do Estado principalmente nas áreas em que ele só atrapalha. Isso por mais que eu não acredite que ele realmente vá cortar muitos impostos e gastos, apesar de acreditar que ele fará um sistema um pouco menos confuso e perverso.

Não voto por ter retomado a fé na democracia em si, mas por acreditar que há finalmente uma boa opção para votar — e mesmo na ausência de uma boa opção, sempre dei meu voto crítico no menos pior.

Brasão da República (Fonte: Flickr)
Brasão da República (Fonte: Flickr)

Acho que enquanto os brasileiros não aprenderem que o Estado está lá só para garantir a sua proteção física e jurídica e não para controlar cada aspecto das suas vidas, não será possível viver na sociedade que se deseja. O Brasil é desigual não por maldade dos brasileiros, mas em grande parte por causa de um governo que não deixa as pessoas buscarem o que lhes é de desejo e que espolia a todos para privilegiar alguns. Enquanto um deputado e um senador forem avaliados pelo número de leis que eles fazem — restringindo com isso a liberdade de todos ao confiscar dinheiro em impostos ou regulamentar o dia-a-dia das pessoas –, o congresso não irá para frente. Enquanto ao presidente couber escolher o rumo da nação e não aos brasileiros, o país ficará preso no tempo dependendo sempre da chegada de um salvador da pátria. Enfim, enquanto o indivíduo estiver submisso ao coletivo, nem liberdade, nem igualdade prosperarão na nossa terra.

O mercado pode não ser igualitário, mas ele não consegue extorquir o dinheiro de ninguém que não queira realizar a troca voluntária. Apenas o governo pode te obrigar a pagar por coisas que você não quer, para pessoas que não são competentes determinarem como elas serão distribuídas. Para alguém que tem a liberdade como valor fundamental, não é possível defender que o governo seja o agente de mudança — apesar de ser possível acreditar que existem governos melhores e piores. Então nesse sentido, eu tento dar a minha parcela procurando um Brasil que consiga vislumbrar um pouquinho mais de liberdade de iniciativa, de expressão, de imprensa, de empreendimento, de política e de vida.

An initial discussion about healthcare prices

Price Tag
Price Tag

For a while, I’ve been thinking about writing about healthcare prices and why I do think they are not the problem, but a symptom of what is happening in the healthcare systems around the world – it is not only the US that have problems! In order to do so, I will first talk about some aspects related to pricing and then analyze few aspects related to healthcare system itself. Other post will follow this discussion, in order to try to cover some important aspects that will only be mentioned here.

Let’s start our discussion with two different – and unrelated – situations:

  1. How much does a new iPhone cost? Usually, in the basic configuration and with a contract, it costs $199.00. What is the iPhone price? Someone can say the exactly same amount: $199.00. But, I would claim that, for the person who waits in line for days, the price is way higher, even though he/she will be paying only that given value.
  2. Second situation: is it paying $1.00 for a bottle of water cheap or expensive? Someone living in Los Angeles on September 17, 2014 and searching using Google can say that it is expensive because of the price listed in this website http://goo.gl/vfu3Ru where a 28 bottles package is sold by less than $6.00. However, someone in the middle of the Sahara desert might say that $1.00 is a ridiculously low price and it is extremely cheap.

From these examples, it is possible to see that prices establish an exchange relationship between things: iPhone or water for money and/or time. Furthermore, it is possible to see that prices are not necessarily the same for a given product, even for two different people at the exactly same location. The main question is: why?

When I was studying Econ 101, my college professor and my father presented me the definition of prices as feedback mechanisms of the market. In simple terms, prices are ways to understand the desire for something, how that product or service is available in the market, and how to allocate the scarce resources in a given period of time. Furthermore, since prices are not only given by monetary value – currency is also a product in the market that is used to facilitate exchanges and is affected by supply and demand (see inflation) – as they can be expressed especially in time or effort (energy expended) to obtain something, it is also necessary to evaluate other indicators when analyzing a market.

For simplicity, my discussion here will focus on two aspects: prices are not given only by monetary values; and prices are dependent on the scarcity of a given good or service in a given area (city, state, country, continent, even planet). I think these are the key points to start addressing the analysis about the healthcare market and why the monetary values seem so high in the US compared to other locations. In following posts, I will talk about regulations and politics, which are also extremely important to understand the current market status and its problems.

Before starting my analysis, it is important to stress that deeper and detailed studies on healthcare prices should also analyze the amount of taxes charged by government, the relationship between various production factors (costs), the labor costs – also related to scarcity and to regulations -, the subjective value of different products in a given time (someone is willing to pay more for a cancer treatment when he is sick than in a healthy situation, or when gramma is ill than when an unknown homeless is facing the same disease), the moral hazard, the controlling mechanisms imposed by bargaining agents such as governments and unions, etc. Some excellent economists have analysis on this topics, I recommend reading the articles on the George Mason University Mercatus CenterJohn Goodman’s and the Apothecary‘s blogs at Forbes, and the healthcare posts from the Economics 21 at the Manhattan Institute web site.

First fact: prices are not necessary monetary!

Everyone has a story about a person who stayed in line for a long time waiting before a significant promotion took place in a store (or before the tickets of a show/sports event went on sale), kept refreshing the web browser to buy a product with discount, or waited for a healthcare service (surgery, appointment with a specialist, starting of a treatment). This time spent in the sole purpose of waiting is a type of non-monetary price that is paid for a service or good, directly related to rationing. And why is that?

Because this time could be used in other more productive activities like working or studying, or it will increase some of the final costs of the process like in the case of a disease that evolves with time and requires a longer and more difficult treatment after waiting to start the treatment. There is always a trade-off, an opportunity cost associated with the purchase of a good or service, and this cost is not necessarily paid with currency!

DMV Line (source: http://libertydmv.com/)
DMV Line (source: http://libertydmv.com/)

Consider the example of someone receiving the minimum wage in California, which currently is $9.00/hour. For every hour this person spends in a line at the DMV, he/she is losing the chance to make $9.00 working. Of course the time spent in the line can be worth and usually the result of the waiting process is considered more valuable than the amount of money the person would make. However, it is still an associated price even when the person believes he/she is having a profit with the outcome of the waiting. The same analogy is valid for someone who is waiting to purchase the new iPhone and, instead of going to work, stays in the line for days. In this case, it is not necessarily the iPhone that is worth the hours waiting, but the chance of being the first among friends and family to have the new gadget.

In the case of healthcare systems, the price is increased when people have to wait hours or even years for a given treatment. The monetary value of the service or good might be fixed (by a regulator, an insurance company or a contract), however the time/distance/effort values are not, and they sum up to the total final price being paid.

Second fact: prices are related to scarcity

The golden rule is given by: the scarcer the item, the pricier it will be. Items are scarcer when they are difficult or costly to obtain and/or produce, regardless of their importance. Diamonds and platinum are scarce, therefore they are pricy. Air and sunlight are abundant (available almost everywhere), therefore they are extremely cheap or non-priceable at al.

Scarce items are difficult to produce or obtain because they are associated to exploration of a very specific regions (the case of diamonds), to time consuming processes (e.g. formation of a microvascular neurosurgeon), to a highly selective number of people (e.g. lectures of Nobel Prize laureates), to once in an year events (e.g. Super Bowl tickets), etc. Thus, their prices in monetary and/or non-monetary values will be high enough to equilibrate supply and demand (market clearing prices).

In the healthcare system, every single item is scarce due to natural limitations of their production or to governmental imposed regulations (more on this later). In a given city, we only have a limited number of physicians, nurses, dentists, hence, the prices associated to the services of these professionals are higher than in a hypothetical situation where every single resident of a town is a healthcare provider equally trained and capable of providing every single aspect of care. The same is valid to the number of hospitals and clinics that exist in a limited number and may require a certificate of need in order to open.

Furthermore, scarcity can be a temporary or almost permanent. For example, the scarcity of  food due to a flood is temporary and increases the prices of perishable items (like price gouging) until the supply is reestablished. But the scarcity of tropical trees in Alaska is extremely difficult to solve, and would require a really long time to be dealt with. Each situation will present a different implication in the market logic and the price dynamics.

Waiting lines in Haiti during a cholera epidemic. (Source AFP)
Waiting lines in Haiti during a cholera epidemic. (Source AFP)

This idea is also valid for healthcare systems. Consider a city where there is only one hospital providing emergency care. The medical prices might be higher in this location than in another place where there are multiple health centers, in order to accommodate the demand – the non-monetary component might be present with long waiting times -, especially in cases of epidemics. But if another hospital can open at any time – such as a military field hospital -, the prices tend to go down because of the increase in supply.

My comments about the healthcare prices

As I said before, the prices are not the problem, they are symptoms. If the price is too high, we should identify what is driving that amount up. Some people might even find interesting things about the phenomenon high prices, like Dr. David Belk in his criticisms of pharmaceutical industries, but their proposed solution of price control using bargain agents attacks only the symptom not the cause!

I will talk more about Dr. Belk’s example later and explain what I think he gets right and why his proposed solution is completely wrong. The same thing happens with Dr. Aaron Carroll videos on the excellent Youtube channel called Healthcare Triage and his videos about the different healthcare systems in the world. They both focus on the prices and forget to consider what prices represent: a feedback. The American prices can be higher that the European or Australian ones, however this does not necessarily mean anything regarding quality or fairness.

The same logic also applies to medical technology companies, hospitals, clinics, etc. We should not pay attention only to the monetary price and we should not be those jealous people looking at someone else’s garden and complaining about ours. If the prices in the US are higher and they do not reflect quality of the services and goods, the problem exists not because the European prices are lower, but because there is something artificially driving our prices up.

Yes, indeed the monetary values in the US are higher that what they could be and we should focus on the variables that are supposed to lower them down, not capping them. It is the same idea when a patient enters the hospital after a car crash: we do not focus on reducing the scars and doing cosmetic procedures, we try to find if there is internal bleeding, what is the extent of the damage, and later we take care of the appearance – which is probably getting better as we fix the other problems.

However, the president Obama only looked at the external part when proposing the “Affordable” Care Act (aka Obamacare – one of the worst pieces of legislation that I have had contact with, even worse than the Brazilian “Draconian” Labor Regulations), he and other liberal analysts like Paul Krugman did not pay attention to what was driving the prices up and in the process proposed solutions that will increase even more the non-monetary prices – after having increased the monetary prices during the last few years, imposing a cap only on government spending. As result, Dr. John Goodman in a recent articles shows problematic statistics that with the increase of third party payments, especially government payments, the non-monetary prices to see doctors are increasing a lot – reaching Canadian-like levels.

When one understands that prices are both not only monetary and extremely related to scarcity, the person realizes that the only way to really reduce prices is increasing the supply of the services and innovating to create alternative services that will compete with the pre-existing ones. Healthcare is not an exception to this rule! Nevertheless, increasing the supply might take time and is not politically compelling as it is writing a gigantic law that is based only on claims and demagoguery, not on real data and strong economic models. In the eagerness of satisfying every interest group, one usually ignores what is the problem and attacks only the visible symptom.

We should foster competition among health insurance companies and healthcare providers in the same fashion as we have with non-insured treatments such as LASIK surgery and medical tourism, this will drive prices down and quality up. We should reform the FDA to reduce the time needed to approve new drugs and treatments, therefore downgrading regulatory costs in the market and driving down both the monetary and the non-monetary prices. We should get rid of the certificates of need that act only in the interest of already established business and protect those with influence in the government, not the patients. We should let the market act freely, not control prices, because one can only control the monetary prices for a limited amount of time before black markets appear and the non-monetary prices skyrocket.

My the take home lesson is: prices are way to complex to control, since they are not only paid with cash, and reflect various indicators, especially the scarcity of the good or service. If one desires lower prices, this person should foster competition and learn with other markets that the greater the supply, the lower the prices. Furthermore, we cannot ignore what happened in other countries, since it is impossible to determine a “fair price” without violating the market rules and paying the consequences in the future, as Canada, UK, Sweden, Denmark and Brazil – to name only a few – are paying now.