NYT propagando um dos maiores mitos do Século XX: a qualidade da saúde de Cuba

Após a notícia de que o governo americano começaria a rever suas medidas contra Cuba, inclusive reiniciando a discussão sobre o fim do embargo econômico que existe desde a década de 60, muitas conversas se iniciaram sobre como isso afetaria a vida dos cubanos. Em uma delas, uma “jornalista” do New York Times pergunta se Cuba pode escapar da pobreza e se manter saudável, seguindo a cartilha doutrinária de que o sistema de saúde da Ilha de Fidel é bom e o responsável pela manutenção da saúde da população. Esse é um dos grandes mitos do Século XX, propagandeado por pessoas como Michael Moore em seu documentário Sicko, e que já foi desmascarado por diversas pessoas, inclusive cubanos.

O sistema de saúde de Cuba tem suas particularidades positivas? Sim! É impossível existir um sistema de saúde em um país em que se “morre” pouca gente e que não tenha aspectos “positivos” a se analisar. Mas mesmo eles são recheades de mitos… Nesse texto, o objetivo é falar sobre a diferença entre a realidade e a fantasia, mostrando um pouco do que está por trás dos mitos da saúde cubana.

1. Número de Médicos

Quando o Brasil começou a importar escravos Cubanos, digo, médicos Cubanos, o partido do governo e seus aliados — principalmente a milícia virtual — disseram que isso não afetaria a Ilha de Fidel, visto que há um excesso considerável de médicos na população de 11 milhões de habitantes (cerca de 6,4 por mil habitantes, acima do número que é considerado minimamente razoável de 2 a 2,5 por mil pessoas). Os números são amplamente superiores aos dos EUA, do Canadá e mesmo dos países Europeus. Ou seja, esse indicador parece algo até interessante.

Médicos (Fonte: OSUNR)
Médicos (Fonte: OSUNR)

Entretanto, deve-se lembrar que cerca de 1/5 dos médicos Cubanos (cerca de 14 mil) já se encontravam trabalhando na Venezuela, em troca de petróleo para abastecer a Ilha. Adicionando-se a esse número os mais de 11 mil médicos exportados para o Brasil, o  número já chega a próximo de 40% da força de saúde cubana que não atende a própria população — sem contar outras missões ao redor do mundo e os médicos que são exclusivos dos sistemas da elite, como o hospital mostrado por Moore.

Mas vamos analisar um pouco os motivos por trás desse número alto de médicos em Cuba.

Primeiramente, o sistema de de educação cubano é pouco seletivo para a entrada nas universidades. Muitas pessoas que não conseguiriam passar no vestibular para Medicina no Brasil podem ser admitidas nas universidades cubanas sem problema algum apenas por vínculos ideológicos. Isso leva, consequentemente a uma distorção no mercado de saúde com excesso de profissionais formados, o que facilita para o governo alocá-las onde bem entender — afinal, todas devem “pagar” para o Estado pelo privilégio de terem estudado “de graça”.

Em segundo lugar, em um país onde há poucos projetos de tecnologia e indústria, onde a agricultura é absurdamente simples, onde há pouca pesquisa, as pessoas acabam não cursando áreas como engenharia, agronomia, veterinária e encontram nas especialidades médicas uma forma de realizar sonhos profissionais — até começarem a trabalhar como médicos e se desiludirem. Aliado a isso, os cursos de medicina em Cuba são absurdamente mais baratos que nos outros países latino-americanos e que em todos os países de primeiro mundo por dois motivos simples: falta de acesso a tecnologia e foco em atenção primária — única e exclusivamente. Como os hospitais escola não tem aparelhos de diganóstico para “drenar” as verbas de instalação e manutenção, mais dinheiro pode ser despendido em contratar profissionais que em muitos lugares do mundo seriam redundantes, e com isso há tempo/disponibilidade da mão de obra para o ensino. Desse modo, as turmas de faculdade cubana podem ser bem maiores que as vistas no Brasil (às vezes 2000 alunos ingressam num ano). Assim, a demanda por vagas de medicina é prontamente atendida por um sistema montado para tal.

Com isso, consegue-se formar um médico generalista Cubano que seria uma mistura de Agente Comunitário de Saúde e Enfermeiro, capaz de lidar com prevenção e manutenção de tratamento (cuidando se a pessoa toma a medicação com a frequência desejada, por exemplo), mas quase inútil ante cenários complexos como cânceres. Podem até existir bons cirurgiões depois da especialização que não é obrigatória, que conheçam bem anatomia e fisiologia, mas a eles falta equipamento para as operações. O mesmo vale para todas as outras especialidades, há um profissional capacitado, mas faltam recursos para atender a população, caso ele não decida se enveredar politicamente e ascender na carreira tratando apenas a elite do país. Então, é óbvio que dará para se ter muitos médicos espalhados pelo país (grande parte de formação duvidosa, entretanto).

2. Saúde Infantil

Outro fator amplamente alardeado é que a qualidade de vida das crianças supera muitos países desenvolvidos. A mortalidade infantil seria menor que dos EUA, por exemplo, e os índices de vacinação seriam mais altos. Novamente, se esses dados fossem sérios, eles seriam interessantes. Entretanto, como tudo divulgado por uma ditadura e sem ninguém ter acesso aos reais números, é muito difícil de se acreditar neles.

Em primeiro lugar, é importante notar, como a forma de apresentar os dados esquece que parte do mérito dos números baixos não vem do governo socialista:

(…) de acordo com essas mesmas estatísticas [de mortalidade infantil] da ONU, em 1958 (o ano anterior à gloriosa revolução) Cuba figurava na 13ª posição, mundialmente.  Isso significa que a Cuba pré-Fidel, robustamente capitalista, tinha a 13ª menor taxa de mortalidade infantil do mundo.  Isso colocava o país não apenas no topo da América Latina, mas também acima de grande parte da Europa Ocidental, à frente da França, Bélgica, Alemanha Ocidental, Israel, Japão, Áustria, Itália, Espanha e Portugal.  Hoje, todos esses países deixam a Cuba comunista comendo poeira, com taxas de mortalidade infantil muito menores.

E mesmo despencando da 13ª posição (quando capitalista) para a 44ª (agora comunista), a ‘impressionante’ mortalidade infantil cubana é mantida artificialmente baixa pelas trapaças estatísticas do Partido Comunista e por uma taxa de aborto verdadeiramente pavorosa: 0,71 abortos para cada feto nascido vivo.  Essa é, de longe, a taxa mais alta do hemisfério.  Em Cuba, qualquer gestação que sequer insinue alguma complicação é ‘terminada’.” (Humberto Fontova)

Vale ressaltar ainda, que nas décadas de 50 e 60, a ONU ainda se importava com dados e não só com narrativa. Dessa forma, o sistema de saúde Cubano ainda estava sob escrutínio da comunidade internacional.

Outro dado interessante se dá quando analisamos os índices de vacinação, que são altíssimos. Isso acontece não necessariamente por conscientização da população sobre vacinas, mas principalmente por repressão do Estado. É só pensar que os pais seriam “chantageados” a vacinar as crianças conforme acontece com os pais do Bolsa Família — ou a carteira de vacinas está em dia ou o benefício é cortado. Outra forma de manter a vacinação em níveis respeitáveis é com programas de vacinação obrigatória em escolas públicas — as quais são frequentadas por todas as crianças cubanas. Assim, fica muito mais fácil controlar a população e garantir que as vacinas sejam apliacadas.

Vale lembrar que grande parte do movimento anti-vacina que existe ao redor do mundo se dá em áreas ricas, como Nova Iorque e California, onde os pais podem se dar ao luxo de perderem parte das economias bancando um tratamento de doenças de fácil prevenção, ou em áreas em que as pessoas duvidam do governo por causa de regimes tirânicos como na África e no Paquistão, não sendo necessariamente um resultado de falta de disponibilidade de vacinas…

Hospital Cubano (source: Humberto Fontanova, Mises BR)
Hospital Cubano (Fonte: Humberto Fontova)

Vale ainda comentar o absurdo quando se diz que Cuba apresenta investimentos em educação e em moradia. A Ilha propagandeia que nenhuma criança dormirá sem teto e ficará sem acesso a escola, entretanto, não se fala da qualidade do teto — que foi determinada como padrão para todos — ou da qualidade da educação. Muitos vivem em cortiços mais cheios que diversos barracos de favelas do Brasil e vão para escola aprender como o socialismo é bom, sem estudar o mínimo sobre a história do mundo, ou deixando de lado as ciências para focar em doutrinacão.

Por fim, quando a analista do NYT comenta sobre os investimentos em nutrição, vale a pena lembrar que o governo cubano não consegue oferecer alimentos suficientes para a população como um todosendo que grande parte da comida em Cuba vem dos EUA, mesmo com o embargo ainda vigente. Com isso, as pessoas precisam achar maneiras para sobreviver, as quais surgem com altos índices de prostituição (inclusive infantil) e com um mercado negro em si vibrante. A inventividade dos Cubanos consegue sobressair às restrições impostas pelos Castro e consegue manter a Ilha ainda funcional mesmo depois de 50 anos de miséria sob o regime comunista.

3. Expectativa de Vida

Uma coisa que muito poucas pessoas comentam é que a expectativa de vida de um país não necessariamente reflete um resultado do sistema de saúde desse lugar. Por que isso? Pelo simples fato de ela englobar todas as causas de morte possíveis em um único dado e a partir delas traçar uma média de quanto uma criança recém nascida pode chegar a viver. Além disso, entramos novamente no fator confiabilidade dos dados do governo cubano…

Um país como o Iraque ou Belarus, que estão em situações de conflito civil ou ainda sofrem as consequências de desastres como Chernobyl, terá a expectativa de vida menor que Cuba, independente de ter um sistema de saúde melhor. O mesmo vale para os Estados Unidos, em que as principais causa de morte de pessoas entre 25 e 34 anos são envenenamento, acidentes de trânsito, homicídios e suicídios.

Quando se consegue diminuir essas causas, principalmente a partir de muita coerção estatal no caso Cubano, é possível aumentar a expectativa de vida absurdamente sem nem se alterar o sistema de saúde. Um estudo sobre isso está presente no livro The Business of Health, em que se comenta que caso os EUA tivessem as mesmas taxas de mortes trágicas de outros países, a sua expectativa de vida seria a mais alta do mundo.

Como em Cuba se retiram as causas externas de mortalidade, com o desarmamento amplo e irrestrito da população — para facilitar o controle por parte do governo –, com a proibição de vários tipos de drogas e medicamentos, com a dificuldade de acesso a veículos automotivos — a existência de poucos carros implica em menos acidentes –, entre outros aspectos, a expectativa de vida tende a ser mais elevada. Juntando-se a isso, o controle do governo sobre a rotina da população e o baixo acesso a alimentos — levando a reduzida obesidade –, os números conseguem ser “melhores” que os de outros países que apresentam qualidade de vida da populacnao absurdamente mais elevada.

Assim, não é a saúde cubana que em si ajuda a população a viver mais, mas causas externas de morte que são retiradas a troco da liberdade das pessoas.

Conclusão

É bonitinho falar que Cuba tem um sistema de saúde que faz sua população viver melhor — eu mesmo infelizmente defendia isso quando tinha 10 anos de idade e estava no auge da doutrinação da escola –, entretanto isso é uma grande mentira. Cuba consegue mostrar que pessoas superam as restrições que um governo autoritário impõe e conseguem sobreviver a despeito de tudo que é feito contra elas. A Ilha Caribenha se destaca por ter uma população alegre, inventiva, trabalhadora e caridosa, visto que a maior parte dos migrantes faz de tudo para tentar ajudar os seus conterrâneos, mesmo que isso signifique colocar a sua própria segurança em risco.

Nessa linha, atribuir ao sistema socializado de saúde Cubano os méritos que residem em outros aspectos da vida da população da Ilha é no mínimo uma ignorância, quando não mau-caratismo absurdo e uma tentativa clara de enganar os leitores. Muitos jornalistas se enquadram na primeira categoria (ignorantes) — visto que eles usam métricas que não medem a qualidade do sistema de saúde para justificar sua opinião –, mas são frutos de anos de doutrinação advinda de membros da segunda. Tomara que os próximos anos mostrem como esse mito tão difundido não passava disso: um mito repetido a esmo por muitas pessoas que não fazem ideia do que estão falando.

Vale ainda ressaltar que o bloqueio americano não foi a causa da pobreza da Ilha, só ver o caso da Coreia do Norte e de outros países socialistas na África para entender que é o modelo econômico adotado por essas nações que machuca seus habitantes. Cuba é pobre por ter uma população pouco produtiva e por fabricar poucas coisas que tenham valor significativo, basta lembrar que todos os países do mundo à exceção dos EUA comercializavam quase que livremente com a terra de Fidel durante os 50 anos do embargo e mesmo assim o país caribenho não se desenvolveu.

Cuba tem muito a ganhar com a queda do socialismo e praticamente nada a perder. Que os órfãos da URSS e do controle Estatal espalhados pela imprensa aprendam isso e parem de difundir mentiras por aí.

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